Como gerenciar a complexidade dos tempos atuais?

Estamos numa fase em que posso denominar de “economia da complexidade”. Desse modo, a maneira de lidar com o futuro das transações comerciais e mesmo no atual ambiente de negócios nas organizações, envolve os seguintes aspectos:

  • Nós não podemos fazer previsões sobre o futuro, mas podemos aprender os padrões nos quais o futuro poderá emergir;
  • Nós não controlamos o futuro, mas podemos influenciá-lo;
  • A melhor maneira de influenciar o futuro é criar experimentos inovadores;

As novas estruturas de trabalho nos ambientes de negócios de economia complexa necessitam colaboradores, funcionários e parceiros com habilidades em ferramentas adequadas para lidar com esses cenários de incertezas. Em função disso, o que posso dizer por experiência própria em grandes corporações no Brasil é que necessitamos de fortes relações interpessoais, troca de valores, conceitos e confiança mútua entre as pessoas envolvidas, principalmente nas organizações com ativos em conhecimento ou “inteligência de negócio”. Esses ativos precisam estar bem estruturados. Negócios atuais com grande troca de conhecimento e valores em um mundo complexo necessitam profissionais com habilidades em lidar com a gestão da complexidade.

Atualmente chamamos de criação de conteúdos, termo esse retirado das empresas da era digital. Podemos também chamar de criação de valores, criação de novos serviços, novos produtos. Podemos aplicar também para qualquer tipo de organização, mesmo aquelas de aço e concreto (estruturas empresariais da era industrial). Para essas, muitas organizações de médio e grande porte se autodenomina de “negócio social”, pois a depender do tamanho e do impacto na economia local e regional, a organização necessita ter a sua “licença social”, mesmo cumprindo todos os seus requisitos legais, regulatórios, ambientais e econômicos. Isso quer dizer que mesmo possuindo um perfil tradicional de organização, ela deve apresentar um viés social, ou seja, as partes interessadas devem de alguma forma participar de sua gestão.

Viver e trabalhar em um mundo complexo necessita que os colaboradores dominem esses conhecimentos e ferramentas da gestão da complexidade. Criar conhecimento e informações é criar conteúdos. Em um mundo altamente conectado, trocar conteúdos é uma atividade generalizada para qualquer funcionário no mundo corporativo. O trabalho hoje em dia é um aprendizado constante e aprender também faz parte do trabalho, e nessa interação todos trocam conteúdos. É lógico que isso é muito difícil em um ambiente de negócios onde não existe liberdade de criação e troca de informações, ou mesmo se o sistema de comunicação que houver na empresa não permita tais atividades.

O que podemos fazer para atenuar esse “déficit” de comunicação e interação? Adotar ferramentas de gestão da complexidade para facilitar os trabalhos de rotina. Uma das práticas mais utilizadas nas empresas modernas em ambientes de negócios complexos é adotar a colaboração entre os funcionários. Muitas empresas chamam os “trabalhadores” de “colaboradores”. Então vamos adotar isso! Devemos fornecer liberdade para qualquer funcionário exercer sua colaboração com qualquer outro funcionário e, ao mesmo tempo, fornecer também ferramentas e incentivar habilidades para lidar com essas interações “colaborativas”. Quanto mais interação, cooperação e troca de valores mais robustos os laços de conhecimento permanecerão na organização para lidar com as incertezas e complexidade nos negócios.

Por exemplo: numa organização, quando as pessoas compartilham abertamente, sem qualquer ganho direto, observam-se que as redes de conhecimento prosperam. As habilidades cooperativas incluem o compartilhamento aberto com os colegas de trabalho e parceiros externos, com também melhora a comunicação e a criação de redes inteligentes, melhorando consideravelmente o desempenho do negócio. Mais uma coisa. As mídias sociais (esse é o termo correto. Não confundir com redes sociais) exigem novas habilidades de trabalho, além das trocas tradicionais face a face. Então, o que eu sugiro para as empresas: estabelecer desde já uma política de incentivo ao compartilhamento aberto como um comportamento padrão. Para isso, é necessário também fornecer ferramentas gerenciais para permitir tais compartilhamentos. Da mesma forma com a colaboração, os comportamentos cooperativos precisam ser modelados e encorajados.

Então, acho que agora vocês irão fazer a seguinte pergunta: – mas…Luiz, como implementar isso em uma organização tradicional tipo “aço e concreto”,  em uma empresa com formato industrial, com hierarquias tradicionais? Essa é uma grande questão! Primeiramente, a alta direção tem que perceber que vivemos em um mundo totalmente diferente da época quando esses modelos de organizações foram criadas. Não estamos mais na era industrial! Estamos na era pós-moderna ou pós-industrial. Os valores hoje são outros. Enquanto os “donos” dos negócios não perceberem isso, jamais irão adotar esses modelos de gestão para lidar com tempos de incerteza.

Após essa etapa de “mudança de percepção da realidade” a alta direção deverá incentivar a adoção de estruturas organizacionais abertas a mudanças. A nova versão da ISO 9001:2015 apresentam vários itens com enfoque nas “mudanças de serviços e produtos” sempre em coerência com o ambiente de negócios, partes interessadas e gestão dos riscos. Ora, isso não é nada mais nada menos do que colocar o “mindset” (modelo mental) no foco de gestão de mudanças.

Na etapa final, a organização deverá planejar e executar uma combinação de:

A – mudanças estruturais (para facilitar a interação, pois ainda está acostumada as hierarquias tradicionais);

B – desenvolvimento de habilidades em inovações, “design thinking”, modelos em brainstorms conduzidos por pessoas experientes, dentre outras habilidades;

C – e, implantação de uma suíte de ferramentas (modelos de softs e/ou plataformas de internet) para facilitar a criação de negócios sociais.

A organização deve implementar os 3 desafios de uma vez só. Tem que gerar impacto! Focar apenas em uma ou outra área não irá provocar resultados satisfatórios na gestão de mudanças. Este tem sido um dos problemas principais nas “startups” com foco em negócios sociais. A ideia é genial, legal, “cool”, mas com pessoas ainda com mentalidades do século passado (era industrial, ainda presa à mentalidades ou mindset de empresas autocráticas, altamente hierarquizadas e muito burocráticas). A falha principal nesses casos é a falta de formação adequada do pessoal em lidar com essas novas estruturas “complexas” em mundos altamente conectados, cheios de diversidade de valores, conteúdos, gêneros e símbolos culturais.

O que devemos incentivar são comportamentos baseados em:

  • Trocas de informações abertas;
  • Comunicações efetivas em comunidades e networks;
  • Criação de redes de conhecimento colaborativo;
  • Criação de conteúdos internos e trocas externas da organização;
  • Coordenação de tarefas com mínimo de tempo e esforço gerencial;
  • Provocar a participação de encontros e reuniões para maximizar os impactos com baixos recursos;
  • Encontrar pessoas com essas habilidades de forma rápida para resolver determinados problemas.

 Então pessoal, mãos à obra!

 Luiz J. C. Quaglia – 25/01/2017

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Sobre Biotopos

Biólogo, auditor de sistemas de gestão certificados (ISO 14001, ISO 9001, OHSAS 18001, NBR 14789 - CERFLOR, NBR 14790 - CERFLOR CoC, FSC CoC e MSC-ASC CoC). Mestre em produção-ecologia aquática (UFBA, 1993), especialista em tecnologia ambiental em industrias florestais (Suécia, 1996), pós-graduação em Gestão Empresarial e Responsabilidade Social (IBPEX, 2007), Coach e Mentor (Sistema ISOR) e Terapeuta Transpessoal, com abordagem transdisciplinar. Estudioso de Biologia Cultural (Maturana e X. Dávila), Psicologia e Ecologia Integral (K. Wilber - AQAL) e das disciplinas das ciências da complexidade (E. Morin). Proprietário da empresa de consultoria em gestão ambiental e sustentabilidade - Biotopos.
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