Ferramentas para elaboração de cenários futuros

Uma das maneiras de gerenciar a complexidade nas organizações atuais, da era pós-industrial, é formar equipes criativas com o foco nas inovações, tanto de produto e serviços, como também de novos modelos de gestão. Uma das formas de incentivar esses grupos é fornecer ferramentas adequadas de construção de cenários futuros. Vamos lá! Seguem 3 ferramentas básicas:

1 – Análise de tendências:

Uma das mais utilizadas é o modelo STEEP (Social, Technological, Environmental, Economic, Political), ou se eu fosse traduzir para o português seria o modelo STAEP (social, tecnológico, ambiental, econômico e político). Essas categorias de pensamento nos fornecem um modelo mental (mindset) para a compreensão da complexidade dos tempos atuais e toda sua rede de mudanças no ambiente de negócios. Geralmente, ao adotar o modelo STEEP as organizações estabelecem subcategorias como refinamento e aprofundamento das questões. Por exemplo, podemos utilizar a categoria “social” e explodir para categorias menores como cultura, organização, empresa, funcionários, comunidade local, valores sociais e símbolos culturais.

A minha consultoria Biotopos® elaborou a ferramenta baseada em uma matriz com taxonomias próprias e algoritmos semânticos complexos, divididos em 9 categorias. Essa é uma matriz complexa baseada em ontologias naturais, biomimética, design thinking, ecologia integral, sistemas complexos adaptativos e outras categorias semânticas. Elaborei também outra matriz utilizada para acompanhar o desenvolvimento das ideias de inovação gerencial que denominei de matriz DIATOMS, acrônimo que engloba os termos em inglês de: diagnostic, integration, analysis, technics, optimizer, measure and systems”.

2 – Visualização criativa:

Elaborar uma visão do cenário futuro é um dos melhores mecanismos que se pode fazer com as equipes. É muito poderoso. Realizada de forma profissional com facilitadores experientes produz muita motivação nas equipes envolvidas. Esse método pode avançar em vários territórios de pensamentos, categorias, produtos e serviços. Por exemplo: como um produto ou serviço projetado com sucesso pode afetar os valores e comportamentos de uma comunidade ou sociedade, ou mesmo a cultura com tal inovação? Como esse produto/serviço poderá alterar a mentalidade e valores de uma determinada sociedade? Ou, como será a humanidade no futuro? Então, criar esses cenários de futuro e uma visão clara de como poderá tal sociedade, humanidade ou comunidade se comportar é uma ferramenta chave para mobilizar um grupo de colaboradores, consultorias, coaches e mentores, por exemplo, em torno de um objetivo comum de determinada organização, independente do seu tamanho. Até governos e órgãos públicos poderão se utilizar dessas ferramentas.

3 – Desenvolvimento de cenários:

Como acompanhamento da visualização, o desenvolvimento de cenários é onde entra o poder da narrativa, ou como algumas sugerem de “storytelling”. Conte uma história da sua vida ou da sua motivação atual, ou do seu cenário futuro! Muitos de nós, pessoas comuns, somos definidos pelas histórias que contamos. Criamos significados e compreensão pelo modo como nos lembramos de nossas histórias de vida. Elas contêm uma carga emocional muito grande. E é nisso ai que reside o poder da narrativa. Emoção. A sua vida, essa que você ergueu e que ainda está construindo, está cheia de emoções e narrativas.

Desse modo, quando pensamos no futuro, seja da sociedade ou de uma organização ou de nós mesmo, pensamos numa série de cenários cheios de incertezas e emoções. Como lidar com essas incertezas? Como lidar com esses custos e benefícios e suas várias consequências? Esse é o nosso exercício na construção de cenários. Usualmente, sugere-se a construção de pelo menos três cenários ao considerar situações futuras. O facilitador das equipes deve sempre se lembrar de motivar as equipes para criarem possíveis cenários, prováveis, desejáveis e preferíveis. Existe atualmente muita literatura de negócios a respeito da criação de cenários futuros. Seguem aqui abaixo cinco exemplos extraídos do livro “Futuring – The exploration of the future, de Edward Cornish”:

1 – Elabore um cenário sem surpresas: as coisas continuarão como estão agora. Eles não se tornarão nem melhores ou piores. Tudo ficará como está;

2 – Elabore um cenário otimista: as coisas ficar muito melhores do que no passado recente;

3 – Faça um cenário pessimista: muitas coisas irão piorar em comparação ao passado;

4 – Construa um cenário de desastre: coisas terríveis irão acontecer e nossa situação será muito pior do que qualquer coisa que já experimentamos anteriormente.

5 – Um cenário de transformação e ruptura: algo espetacular vai acontecer em locais e setores que nunca ousamos esperar;

E ai, o que fazer com esses cenários? Escreva histórias. Pode-se começar por ai. Perguntas devem ser feitas como, por exemplo: qual a probabilidade de cada um desses cenários acontecer? Qual aquele que nós desejamos? Quais são os valores humanos envolvidos nesses cenários? Como tais eventos irão me impactar ou impactar a minha organização/empresa?

Agora a pergunta mais importante: Quais são as ações que podem ser tomadas hoje mesmo para você gerenciar a sua organização com foco no futuro e sobreviver nesses vários cenários? Fica ai a pergunta. Contudo, sugiro dois métodos para linha de ação: previsão e backcasting. A previsão você elabora com dados do presente e projeta para o futuro, enquanto que o backcasting começa com um evento futuro e volta para o presente. Os cenários imaginados servem para iluminar os caminhos para a ação. Vamos lá!

Luiz Quaglia

Fevereiro, 01/2017.

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Sobre Biotopos

Biólogo, auditor de sistemas de gestão certificados (ISO 14001, ISO 9001, OHSAS 18001, NBR 14789 - CERFLOR, NBR 14790 - CERFLOR CoC, FSC CoC e MSC-ASC CoC). Mestre em produção-ecologia aquática (UFBA, 1993), especialista em tecnologia ambiental em industrias florestais (Suécia, 1996), pós-graduação em Gestão Empresarial e Responsabilidade Social (IBPEX, 2007), Coach e Mentor (Sistema ISOR) e Terapeuta Transpessoal, com abordagem transdisciplinar. Estudioso de Biologia Cultural (Maturana e X. Dávila), Psicologia e Ecologia Integral (K. Wilber - AQAL) e das disciplinas das ciências da complexidade (E. Morin). Proprietário da empresa de consultoria em gestão ambiental e sustentabilidade - Biotopos.
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