Colaborando com o inimigo: o que o pensamento complexo poderia ajudar nos impasses políticos atuais.

Trechos do recente livro de Adam Kahane, “Collaborating with the enemy – How to Work with People You Don’t Agree with or Like or Trust”, tem algumas coisas interessantes que poderiam ser aplicadas no Brasil nesse momento crise e impasse político. Kahane cita que o modelo convencional de colaboração implica necessariamente em um certo controle e isto é restritivo e leva a bloqueios de comunicação. Certamente, este caminho não será bem sucedido em situações complexas, quando ambas as partes não querem colaborar. No livro, Kahane descreve um processo que ele chama de “colaboração esticada” ou em inglês “stretch collaboration”, ou se fossemos traduzir de outra forma como uma espécie de “colaboração flexível”. Kahane diz que é um processo aberto e, muitas vezes, faz com que os participantes se sintam desconfortáveis, pois não têm controle sobre o que acontecerá. Esse processo se baseia-se em três pensamentos fundamentais:

1 – Nós não somos uma equipe única. Temos uma multiplicidade de interesses. Temos de abraçar os conflitos tanto quanto temos que abraçar as nossas conexões;
2 – É bem provável que não vamos concordar nem com o problema nem com a solução, então a única maneira de descobrir é tentar um passo de cada vez e experimentar;
3 – A única coisa que você pode mudar é você mesmo.

O objetivo do processo que Kahane propõe é tornar a colaboração menos traumática e difícil, ao não requerer consenso em tudo e se concentrar em pequenos passos concretos. As relações humanas (incluindo as organizacionais e nacionais) são por natureza complexas, de modo que esta abordagem de pequenos experimentos se alinha com a estrutura de soluções que o pensamento complexo aborda.

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Sobre Biotopos

Biólogo, auditor de sistemas de gestão certificados (ISO 14001, ISO 9001, OHSAS 18001, NBR 14789 - CERFLOR, NBR 14790 - CERFLOR CoC, FSC CoC e MSC-ASC CoC). Mestre em produção-ecologia aquática (UFBA, 1993), especialista em tecnologia ambiental em industrias florestais (Suécia, 1996), pós-graduação em Gestão Empresarial e Responsabilidade Social (IBPEX, 2007), Coach e Mentor (Sistema ISOR) e Terapeuta Transpessoal, com abordagem transdisciplinar. Estudioso de Biologia Cultural (Maturana e X. Dávila), Psicologia e Ecologia Integral (K. Wilber - AQAL) e das disciplinas das ciências da complexidade (E. Morin). Proprietário da empresa de consultoria em gestão ambiental e sustentabilidade - Biotopos.
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