Coroação

Hoje, o grande pensador Pierre Lévy, publicou no seu blog um pequeno texto sobre o coronavírus, com o título no original em francês de: “couronnement”, (coroação). Segue o link do seu blog: https://pierrelevyblog.com/2020/04/05/couronnement/

Lévy estuda há tempos o fenômeno das redes interativas da internet e todas suas implicações socio-culturais. Ele colocou esse parágrafo no final do seu texto, mas eu colocaria logo em cima, com o seguinte chamado “Com uma coroa de espinhos na cabeça sangrenta, a humanidade está entrando em uma nova era”. Vamos lá: (tradução minha livre, diretamente do francês).

“A pandemia do novo coronavírus tem e continuará a ter efeitos catastróficos não apenas em termos de saúde física e mortalidade, mas também nas áreas de saúde mental e economia, com quase nenhuma conseqüência social, política e cultural previsível. Já se pode dizer que a escala do sofrimento e da destruição se aproxima de uma guerra mundial.

Além disso, progredimos na conscientização da unidade e continuidade física da população humana planetária que compartilha um ambiente comum. O espaço público mudou para o virtual e muitos participam da comunicação nas mídias sociais. As grandes plataformas da web e dos serviços on-line têm visto um aumento considerável do seu uso, e a infraestrutura de comunicação digital é utilizada até o limite. Áreas como medicina, educação, trabalho e comércio à distância entraram nos costumes, sugerindo uma profunda mudança de hábitos e habilidades, como também uma possível redução da poluição e das emissões de carbono. A Internet agora é mais do que nunca um serviço básico, talvez mesmo um direito humano. Para fornecer soluções para esta crise multifacetada, novas formas de inteligência coletiva estão ultrapassando instituições oficiais e barreiras nacionais, particularmente nos campos científico e de saúde.

Ao mesmo tempo, conflitos de interpretação (aqui, eu Luiz Quaglia, uma interpretação minha, denomino de guerras semânticas ou guerras de significados), guerras de informação e batalhas de propaganda estão se intensificando. Notícias falsas – também virais – surgem de todos os lados, aumentando a confusão e o pânico. A manipulação vergonhosa ou maliciosa dos dados acompanha disputas ideológicas, culturais e nacionais em meio a uma reorganização geopolítica global, com consequências no reequilíbrio comercial global e local, em favor deste último. O poder político está sendo fortalecido em todos os níveis do governo, com uma fusão notável de inteligência, polícia e serviços médicos, alimentada por comunicações digitais e inteligência artificial. A saúde pública e segurança nacional exigem, a partir de agora, a geolocalização universal de indivíduos por telefone celular, pulseira ou anel. Isto está no horizonte de nos tecnologias que surgirão. A identificação automática por reconhecimento facial ou batimentos cardíacos fará o resto.

Para equilibrar essas tendências, será necessária uma maior transparência do poder científico, político e econômico. A análise automática dos fluxos de dados deve se tornar uma habilidade essencial, a ser ensinada desde cedo nas escolas, porque agora condiciona a compreensão do mundo. Os recursos de aprendizado e análise devem ser compartilhados e disponibilizados gratuitamente a todos. Uma harmonização internacional e trans-linguística de sistemas de metadados semânticos ajudaria a processar e comparar dados e apoiaria formas de inteligência coletiva mais poderosas do que as que conhecemos hoje”

Ele, Lévy, finaliza, o artigo assim, como já disse no início: “Com uma coroa de espinhos no crânio sangrento, a humanidade está entrando em uma nova era”. Tomara!

Sobre Biotopos

Biólogo, auditor de sistemas de gestão certificados (ISO 14001, ISO 9001, OHSAS 18001, NBR 14789 - CERFLOR, NBR 14790 - CERFLOR CoC, FSC CoC e MSC-ASC CoC). Mestre em Ecologia e Biomonitoramento (antes "produção aquática", UFBA, 1993), especialista em tecnologia ambiental em industrias florestais (Sveriges Skogs Industri Forbund / SSIF-SIDA-UNESCO, Suécia - 1996), pós-graduação em Gestão Empresarial e Responsabilidade Social (IBPEX, 2007), Coach e Mentor (Sistema ISOR) e Terapeuta Transpessoal, com abordagem transdisciplinar. Estudioso de Biologia Cultural (Maturana e X. Dávila), Psicologia e Ecologia Integral (K. Wilber - AQAL) e das disciplinas das ciências da complexidade (E. Morin). Proprietário da empresa de consultoria em gestão ambiental e sustentabilidade - Biotopos.
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