É inovar ou desaparecer! Uma proposta de gestão biomimética nas organizações.

Utilizando algoritmos genéticos para a mudança corporativa.

Nós, humanos, chegamos até aqui com notáveis avanços tecnológicos. Nessa ânsia de progressos sem limites, várias espécies de seres vivos foram extintos e muitas ainda estão em situação de risco de extinção. Podemos supor que foram extintas porque não estavam geneticamente adaptadas ou mesmo programadas para tamanha velocidade de mudanças no meio ambiente.

De modo similar, com a competição em termos globais crescendo de maneira rápida, várias empresas de portes variados irão desaparecer nos próximos anos por não saberem se adaptar aos novos tempos. Se as decisões de inovação que elas implantarem for insuficiente ou menos eficiente para adaptação que os concorrentes, provavelmente fecharão suas portas. Os mecanismos de sobrevivência e gestão adotados foram incapazes de resistir à tamanha concorrência globalizada.

O conceito da gestão biomimética

Categorias biomiméticas são aquelas relacionadas aos padrões da vida. São as informações de como a própria natureza organiza os padrões e dispõe aos sistemas vivos para reagir a determinados desafios estratégicos de sobrevivência em ambientes complexos adaptativos. Exemplos de estratégias de sobrevivência: Voar (locomover); Caçar (capturar); Proteger (defender); Reproduzir (multiplicar); Mudar (adaptar), dentre outros. Cada uma das diversas taxonomias apresenta um padrão natural de desenho, que chamamos de padrões biomiméticos. Estas apresentam estruturas similares que podem ser aplicadas como algoritmo semântico no auxílio de decisões em sistemas gerenciais de alta complexidade.

Baseado nos algoritmos semânticos (de significados) genéticos, da teoria da evolução, fundamentado na estrutura da molécula do DNA que existe, aproximadamente, há 3,8 bilhões de anos (é considerado o sistema de informação mais antigo que existe), os organismos se adaptam com mudanças nas funções dessa molécula. Um bom livro de biologia irá definir o DNA como “ácido desoxiribonucléioco”, que dizer em inglês: deoxyribonucleic acid, que é um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos. O principal papel do DNA é armazenar as informações necessárias para a construção das proteínas. O DNA se encontra no núcleo das células de um organismo, no interior dos cromossomos, menos nas hemácias (glóbulos vermelhos), que não possuem núcleo.

A partir daqui já podemos tirar várias informações metafóricas para se utilizar o DNA e se adaptar melhor no mundo empresarial. O DNA da organização está localizado no seu núcleo. Qual núcleo? O local onde de tomam as decisões e onde se guardam as informações. Quais informações? Do ambiente do negócio no seu entorno. Podemos fazer uma pergunta principal para o líder desta organização: quais são as informações que você está codificando para tomar as decisões de adaptação aos novos ambientes de negócios? Essa pergunta daria um seminário de debates.

Se fossemos tomar uma organização como um ser vivente, o nome “organização” já dá uma dica: vem de organismo, vem de orgânico. Fazemos as seguintes perguntas: como ela opera suas informações no seu núcleo de decisões para se adaptar ao meio e reproduzir os comportamentos empresariais de geração em geração? Se o DNA faz com que o organismo (ou a organização) se reproduza na sua imagem e semelhança, como as informações estão se reproduzindo dentro do núcleo do seu negócio? Como está a cultura e o seu cultivo na organização com os seus líderes? Está reproduzindo uma liderança evolutiva ou presa no sucesso do passado?

Nas empresas, a evolução se passa com base numa cultura inovadora, ou cultura orgânica. É uma cultura baseada na capacidade de adaptação ao meio ambiente de negócios, como mencionam os atuais “gurus” do “management”. Alguns chamam se resiliência, um sinônimo de capacidade de adaptação. Segundo esses experts, a sobrevivência em novos ecossistemas empresariais tem o seu próprio ciclo vital. As empresas como espécies vivas têm o seu período de nascimento, de crescimento, de manutenção e depois morrem.

De forma similar como ocorre na natureza, o período logo após o nascimento as empresas tem uma elevada mortalidade. Poucas sobrevivem após o startup. As empresas que logo aprendem rapidamente se adaptam melhor e obtém a chave do êxito no seu mercado (ambiente de negócios). E tão logo se dão conta desse êxito, avançam rapidamente para escrever essa informação no seu DNA: a cultura empresarial! Os valores são replicados, as informações e comportamentos também se reproduzem e a empresa mantém sua estabilidade e êxito. Nesse caso, é ai que reside o perigo atual. A empresa quer se manter no “status quo” ou no estado de manutenção.

O perigo de se manter sem inovações

Manter o “status quo” é o desafio (por incrível que pareça) de muitos líderes empresariais como herança genética do seu antecessor! Fazem o discurso do passado, em memória de fulano, de sicrano, de tal líder, etc. Querem sempre se manter nas glórias do passado, preservando a sua espécie. Parece que muitos que aqui estão lendo vai se lembrar de vários filmes, só que reais. Vide as grandes organizações que sucumbiram recentemente e algumas que estavam no topo e agora estão lá embaixo. Vou citar apenas algumas: Kodak, Enron, Varig, Vasp, Transbrasil, Panam, Blockbuster, Atari, AOL, Mappin, Mesbla, Lehman Brothers, Lojas Arapuã, Rede Manchete, etc.

Organizações adocráticas, abertas e criativas! Essas são as palavras de ordem

Essas organizações não fizeram as mudanças genéticas necessárias no seu núcleo. Os novos mecanismos de adaptações atuais são os ambientes empresariais de aprendizagem, adocracia (ou “adhocracia” é um sistema temporário variável e adaptativo, organizado em torno de problemas a serem resolvidos por grupo de pessoas com habilidade e profissões diversas e complementares), flexibilidade, organização aberta e comunicação simbiótica com outras empresas, etc. Esses mecanismos de interação produzem novas informações que podem ser utilizadas para decisões de mudanças, necessárias para uma rápida adaptação e sobrevivência no ambiente de negócios.

Uma coisa interessante nesses novos tempos é que as empresas devem manter um frágil equilíbrio entre os valores e comportamentos do passado, e atento com os processos, valores, informações e comportamentos do presente, que lhes darão o êxito no futuro. Quanto mais frágil o equilíbrio, mais fácil se torna a mudança. É um paradoxo. Quanto maior a organização, mais difícil é a sua mudança. Curiosamente, defender o êxito do passado está se tornando a principal causa de envelhecimento e mortalidade das organizações. Nesses dias de alta volatilidade nos negócios, defender o êxito do passado não significa mais nada!

Se uma empresa não está disposta a inovar, deverá saber que não irá sobreviver em mercados altamente competitivos. As empresas deverão ter a consciência que inovar não é um processo, ou a criação de um novo cargo de trabalho. Inovação é uma atitude mental das pessoas, que deverão saber que é obrigatório para a sua sobrevivência no futuro.

O drama seguirá, infelizmente, para as espécies que estão em extinção. Se não reduzirmos a velocidade de mudanças no entorno natural, o DNA dessas espécies não está configurado para fazer alterações tão rapidamente e logo sucumbirão. Mas, felizmente, o elemento básico da evolução empresarial que permite reinventar o futuro, a inteligência das redes conectadas, das redes coletivas compostas por milhões de elementos orgânicos, que são os nossos cérebros, permitem nos adaptar e criar com rapidez, nos libertando da rotina da mesmice empresarial. Sugiro que os gestores das organizações de qualquer tamanho libertem o pessoal criativo para a inovação, se quiserem sobreviver por mais tempo.

Luiz Quaglia, fevereiro, 02/2017.

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Sobre Biotopos

Biólogo, auditor de sistemas de gestão certificados (ISO 14001, ISO 9001, OHSAS 18001, NBR 14789 - CERFLOR, NBR 14790 - CERFLOR CoC, FSC CoC e MSC-ASC CoC). Mestre em produção-ecologia aquática (UFBA, 1993), especialista em tecnologia ambiental em industrias florestais (Suécia, 1996), pós-graduação em Gestão Empresarial e Responsabilidade Social (IBPEX, 2007), Coach e Mentor (Sistema ISOR) e Terapeuta Transpessoal, com abordagem transdisciplinar. Estudioso de Biologia Cultural (Maturana e X. Dávila), Psicologia e Ecologia Integral (K. Wilber - AQAL) e das disciplinas das ciências da complexidade (E. Morin). Proprietário da empresa de consultoria em gestão ambiental e sustentabilidade - Biotopos.
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